O Brasil continua avançando no IDH da ONU. Ganhou
mais uma posição, ficando com 84ª colocação. A receita: melhorias nas áreas de
saúde e renda, com manutenção na educação. Confira na matéria abaixo, transcrita
da Carta Maior.
O IDH avalia os alcances de todos os países em três
setores principais: saúde, aquisição de conhecimento e qualidade de vida. A
primeira avalia as taxas de esperança de vida, o segundo é avaliado
através da média de anos de estudo da população adulta e por meio do
número esperado de anos de estudos (tempo que uma criança ficará
matriculada), o terceiro corresponde à Renda Nacional Bruta (RNB) per capita.
É consenso entre pesquisadores que o aumento
do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é mais importante que o crescimento
isolado do Produto Interno Bruto (PIB). Claro,
crescimento de PIB sem aumento de IDH significa que o bolo cresce, mas não
é repartido.
Segundo Pedro Herculano, pesquisador do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2001 e 2009, a desigualdade no
Brasil diminuiu 9%, contra apenas 1% no período de 1995 a 2001 (confira aqui).
Então, os dados demonstram que o Brasil está
crescendo e, principalmente, distribuído renda. Mesmo diante de uma crise
global!
Brasil avança uma posição e fica em 84º em novo IDH da ONU
Índice de Desenvolvimento Humano brasileiro tem
ligeira alta em novo ranking, com número recorde de países, e permanece na
categoria 'elevada'. Expectativa de vida e renda avançam. Escolaridade, não.
Entre BRICS, Brasil ainda perde para Rússia. Desempenho é inferior à média da
América Latina, que coloca à frente Chile, Argentina, Uruguai, Cuba, Venezuela,
Equador, Costa Rica, Peru, Trinidad e Tobago...
Najla Passos – Carta Maior
BRASÍLIA – No primeiro ano do governo Dilma
Rousseff, o Brasil ganhou uma posição no ranking de desenvolvimento humano das
Nações Unidas e atingiu 84ª colocação, entre 187 países. O atual Índice de
Desenvolvimento Humano brasileiro (IDH) é categorizado como “elevado”. Os 47
primeiros do ranking, que é liderado pela Noruega, possuem desenvolvimento
“muito elevado”.
Os dados do IDH estão sendo divulgados
mundialmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)
nesta quarta feira (02), em Copenhague, capital da Dinamarca. Foram
distribuídos com antecedência a jornalistas, para que a imprensa tivesse tempo
de preparar reportagens. O combinado era que as matérias só fossem publicadas a
partir das 9h deste feriadão.
O ranking 2011 do IDH tem número recorde de
países – eram 169 em 2010. Para permitir a comparação entre um ano e outro apesar
da ampliação da lista, o Pnud refez o ranking 2010, que pela primeira vez viu o
Brasil entrar para o grupo de desenvolvimento “elevado”.
No ano passado, o Brasil estava em 73º, com
IDH de 0,699. Ao incluir os 18 novos países no ranking 2010, com dados
relativos ao ano passado, o país pulou para 85º. Daí ter avançado uma posição
agora, quando o índice subiu a 0,718. Líder Noruega tem 0,943, seguida de
Austrália (0,929) e, empatados, Holanda e Estados Unidos (0,910). Na rabeira,
aparecem Burundi (0,316), Níger (0,295) e Congo (0,286).
O IDH é calculado a partir de dados
referentes a saúde, educação e renda. De 2010 para 2011, subiram a expectativa
de vida (de 73,1 anos para 73,5 anos) e a renda (de US$ 9,8 mil para US$ 10,1
mil), mas a escolaridade e a expectativa de tempo de estudos, não (permaneceram
em 7,2 anos e 13,8 anos, respectivamente).
Segundo o chefe do grupo de pesquisas do
Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) do Pnud em Nova York, José Pineda, o
equilíbrio entre as três áreas (saúde, educação e renda) é a principal
explicação para o desempenho brasileiro no IDH. E demonstraria que o governo
estaria acertando em suas políticas pró-crescimento.
Já o consultor do RDH no Brasil, Rogério
Borges, destaca a evolução na expectativa de vida como fato mais positivo.
“Este indicador reflete uma série de medidas de impacto na saúde da população,
como melhorias no saneamento, queda na mortalidade infantil, materna, nos
índices de violência e melhorias de infra-estrutura, com saneamento”, diz.
Desde 1980, o IDH brasileiro melhorou 31%.
Apesar disso, o atual índice está abaixo da média dos vizinhos de América
Latina e Caribe - se fosse um país, a região estaria na posição 76.
Estão à frente do Brasil, em IDH, Chile (44º
no ranking), Argentina (45º), Uruguai (48º), Cuba (51º), Bahamas (53º), México
(57º), Panamá (58º), Antígua e Barbuda (60º), Trinidad e Tobago (62º), Costa
Rica (69º), Venezuela (73º), Jamaica (79º), Peru (80º), e Equador (83º).

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