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| Na guerra, quem mais sofre são os inocentes! |
O IRÃ E A PERIGOSA APOSTA DE ISRAEL
Mauro Santayana
Não se trata mais de hipótese: os falcões americanos e o governo
britânico estão dispostos a apoiar ação militar de Israel contra o Irã, embora
grande parte da opinião pública israelita advirta que essa aventura é
arriscada. Aviões militares de Israel fazem manobras no Mediterrâneo e já se
fala no emprego de mísseis de alcance médio contra o suposto inimigo. Seus
líderes da extrema-direita, entre eles religiosos radicais, estimulam os
cidadãos, com o argumento de que se trata de uma luta de vida ou morte.
Toda cautela é pouca na avaliação política da questão de Israel. Em
primeiro lugar há que se separar o povo judaico do sionismo e do Estado de
Israel - que parece condenado a sempre fazer guerra. Como disse um de seus
grandes pensadores, se todos os estados possuem um exército, em Israel é o
exército que possui o estado. É explicável que, com sua história atribulada e
as perseguições sofridas, sobretudo no século 20, sob a brutalidade nazista, os
judeus se encontrem na defensiva. Isso, no entanto, não autoriza a insânia de
sua política agressiva contra os palestinos em particular, e contra os
muçulmanos, em geral.
A política belicista de Israel, alimentada pelos fundamentalistas, e
estimulada pelos interesses norte-americanos, tem impedido a paz na região. Os
palestinos são tão semitas quanto os judeus, embora muitos dos judeus
procedentes da Europa não sejam semitas em sua origem étnica, posto que
convertidos a partir do século VIII. Os dois povos poderiam viver em paz, se o
processo de ocupação da Palestina pelos judeus europeus tivesse seguido outra
orientação. Mas o passado não pode ser mudado. Sendo assim, é tempo para o
entendimento entre os dois povos – mas para parcelas das elites de Israel e
seus patrocinadores americanos, a guerra é um excelente negócio. Sem a guerra,
a receita de Israel – um território pobre de petróleo, tão próximo das mais
pejadas jazidas do mundo – seria insuficiente para manter seu poderoso e bem
remunerado exército e suas elites dirigentes, contra as quais começam a
mover-se também os indignados, e com razão.
Israel nasceu sob o ideal de um sistema socialista baseado na
solidariedade dos kibbutzim, mas hoje não se distingue mais dos países
capitalistas. Os ensandecidos partidários da ação militar contra Teerã talvez
imaginem que essa iniciativa tolha o reconhecimento do Estado da Palestina pela
ONU, mas deixam de atentar para os grandes riscos da operação, apontados pelos
judeus de bom senso. Em primeiro lugar há uma questão ética em jogo, que o
mundo já medita há muito tempo: por que Israel pôde desenvolver as suas armas
nucleares, e os outros países da região não podem investigar o aproveitamento
do conhecimento nuclear para fins pacíficos? Em visão mais radical, mas nem por
isso contrária à ética: porque Israel dispõe de 200 ogivas nucleares e os
outros países não podem dispor de armas atômicas? O que os faz tão diferentes
dos outros? Se o Estado de Israel se sente ameaçado pelos vizinhos, os vizinhos
também têm suas razões para se sentirem ameaçados por Israel.
Façamos um rápido exercício lógico sobre as conseqüências de um ataque
aéreo – que já não se trata de hipótese, mas detiming – de Israel
às instalações nucleares do Irã. Como irão reagir a Rússia e a China e, antes
das duas grandes potências, o que fará a Turquia? A Grã Bretanha, segundo
informou ontem The Guardian, já está estudando participar de uma
expedição contra o Irã e só o governo dos Estados Unidos – exceto alguns
falcões - está relutante. Haveria, assim, uma aliança inicial entre Sarkozy,
Cameron e Netanyahu contra o Irã. Talvez os europeus e os próprios
norte-americanos vejam nesse movimento uma forma de superar o acelerado
descontentamento de seus povos contra a submissão dos estados aos banqueiros
larápios. O encontro de um bode expiatório, como parece a propósito a antiga
Pérsia, poderia ser uma forma de buscar a unidade interna de ingleses,
franceses, norte-americanos – e judeus. É ingenuidade imaginar que o provável
ataque se concentrará nas instalações de pesquisa nuclear. Uma vez iniciada a
agressão, ela não se limitará a nada, e se repetirá o holocausto da Líbia, com
seus milhares de mortos e feridos, em nome dos “direitos humanos” dos ricos.
O mapa geopolítico de hoje é um pouco diferente do que era em 1948 e
1967, quando se criou o Estado de Israel e quando ele se ampliou para além das
fronteiras estabelecidas pela comunidade internacional.
É assustador pensar em uma Terceira Guerra Mundial, com novos
atores em cena, entre eles possuidores das armas apocalípticas, como a China, o
Paquistão e a Índia. Diante da insanidade de certos chefes de Estado de nosso
tempo, é uma terrível probabilidade – e com todas as conseqüências impensáveis.

1 comentários:
Essas questões pertinentes a raça e suas estúpidas teorias de superioridade, há séculos, vem nortenado as ações criminosas de Israel sobre povos diversos. Os Palestinos, nesse contexto, parecem ser as vítimas preferidas dos sionistas. Um verdadeiro descalabro. A arrogãncia de Israel e a conivência da ONU com seus assassínios é algo assustador. O planeta terra, infelizmente, não será mais uma lugar seguro para os humanos. As guerras, e suas sequelas, não têm bastado para aprumar a raça humana noutra direção. Algo diferente precisa acontecer!
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