Nasci livre como o vento,
Venho de um tempo sem
fome,
A terra é meu elemento,
Tupi-guarani, meu nome.
Tupi-guarani, meu nome.
Misturei minha inocência,
Com a cultura dos padres,
Nasceram sete
instrumentos,
Nasceram sete cidades.
Cavalguei, criei o gado,
Fui à escola e aprendi,
Minha mão moeu o trigo,
O meu pão eu dividi.
Fui oleiro, fui padeiro,
Fui pintor e escultor,
Fui músico, fui poeta,
Fui ferreiro e caldeador.
Nasci livre como o vento,
Venho de um tempo sem
fome,
A terra é meu elemento,
Tupi-guarani, meu nome.
Tupi-guarani, meu nome.
E o tiro veio de Espanha,
E a lança, de Portugal,
Lutei, tombei,
Não morri!
Porque nunca morre a
verdade,
Esta terra tem dono,
Que se chama liberdade!
Cenair Maicá, autor e intérprete de Terra Vermelha (letra
acima, em parceria com Nelci Padilha), que retrata a saga dos Sete Povos das Missões, nasceu em 1947 em Águas
Frias, no atual município de Tucunduva. Vou morar em Santo Ângelo e faleceu “guri”, em 1989.
Cantou a História e o povo, para o desagrado dos poderosos. Obviamente que a indústria cultural não o aceitou bem.
Cantou a História e o povo, para o desagrado dos poderosos. Obviamente que a indústria cultural não o aceitou bem.
Seus versos:
Hay os que cantam desditas
de amores,
por conveniência,
agradando senhores.
Mas os que vivem a cantar
sem patrão,
tocam nas cordas do seu
coração.
Não há como se falar em
patrimônio histórico, cultural, econômico e humano dos sul-rio-grandenses sem
fazer referência ao grande Cenair.
Abaixo, a voz e imagens do
inesquecível Cenair Maica (acompanhado de Chaloy Jara).

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