Sexta-feira, Novembro 18, 2011

O tiro veio de Espanha, a lança, de Portugal


Cenair Maica, o símbolo da gana missioneira
Terra vermelha

Nasci livre como o vento,
Venho de um tempo sem fome,
A terra é meu elemento,
Tupi-guarani, meu nome.
Tupi-guarani, meu nome.

Misturei minha inocência,
Com a cultura dos padres,
Nasceram sete instrumentos,
Nasceram sete cidades.

Cavalguei, criei o gado,
Fui à escola e aprendi,
Minha mão moeu o trigo,
O meu pão eu dividi.

Fui oleiro, fui padeiro,
Fui pintor e escultor,
Fui músico, fui poeta,
Fui ferreiro e caldeador.

Nasci livre como o vento,
Venho de um tempo sem fome,
A terra é meu elemento,
Tupi-guarani, meu nome.
Tupi-guarani, meu nome.

E o tiro veio de Espanha,
E a lança, de Portugal,

Lutei, tombei,
Não morri!
Porque nunca morre a verdade,
Esta terra tem dono,
Que se chama liberdade!

Cenair Maicá,  autor e intérprete de Terra Vermelha (letra acima, em parceria com Nelci Padilha), que retrata a saga dos Sete Povos das Missões, nasceu em 1947 em Águas Frias, no atual município de Tucunduva. Vou morar em Santo Ângelo e faleceu “guri”, em 1989.


Cantou a História e o povo, para o desagrado dos poderosos. Obviamente que a indústria cultural não o aceitou bem.

Seus versos:

Hay os que cantam desditas de amores,
por conveniência, agradando senhores.
Mas os que vivem a cantar sem patrão,
tocam nas cordas do seu coração.

Não há como se falar em patrimônio histórico, cultural, econômico e humano dos sul-rio-grandenses sem fazer referência ao grande Cenair.

Abaixo, a voz e imagens do inesquecível Cenair Maica (acompanhado de Chaloy Jara).



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