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Yeda Crusius (PSDB) declarou no jornal ZH, edição de hoje (09FEV2010), que FHC está colocando “as coisas no seu devido lugar”. Referia-se ao artigo escrito pelo ex-presidente, líder de si mesmo, publicado recentemente em todo o PiG.
Pela primeira vez sou forçado a concordar com a governadora tucana. Com efeito, FHC está colocando “as coisas no seu devido lugar” ao propor que seu governo seja comparado com o de Lula.
Confrontar o PAC com o Programa Nacional de Desestatização, por exemplo, é uma barbada!
O PAC gera crescimento econômico e emprego pela participação do Estado. Os dados estão aí para quem quiser ver.
Já o Programa Nacional de Desestatização se prestou como mecanismo de entrega de patrimônio público para empresas estrangeiras quebradas. O programa de FHC pressionava os estados a realizarem as privatizações e colocava o BNDES como braço operacional para realização dos leilões (aqui no sul, o BANRISUL escapou com as calças na mão).
Quem não lembra da venda da Eletropaulo? Foi uma ação tipicamente tucana (Mario Covas e FHC).
A AES americana, mesmo se encontrando em situação pré-falimentar nos EUA, obteve generoso (e rápido) financiamento do BNDES, correspondendo a exatamente 100% do valor da aquisição da Eletropaulo. Depois a AES deu o calote e não pagou a primeira parcela do financiamento, obrigando o BNDES, no início de 2003, a lançar "provisão para devedores duvidosos”, no valor correspondente à quantia total que havia emprestado à AES.
O prejuizo do BNDES e do povo brasileiro: R$ 2,4 bilhões!
O Programa Nacional de Desestatização de FHC poderia se chamar assim: Programa de Aceleração de Transferência dos Recursos Públicos para o Ralo.
Aliás, FHC não explicou até hoje porque Pio Borges, presidente do BNDES à época do empréstimo de “pai para filho”, foi contratado pela Eletropaulo (depois da privatização) para prestar consultoria através de sua empresa J. P.Borges Consultoria e Participações Ltda.
Yeda e FHC são os cabos eleitorais e estrategistas que a Dilma sonha ver... na campanha do Serra!
Mesmo sem querer, FHC se transformou em eventual cabo eleitoral de Dilma Roussseff.
Calma lá. Explico.
Primeiro FHC escreve um artigo para o PiG topando o desafio do PT em dar um caráter plebiscitário às eleições presidenciais que se aproximam. O ex-presidente quer que José Serra suba no palanque e compare a gestão dele (FHC) com a do Lula. Ora, o tucanato foge dessa tática eleitoral como o diabo da cruz, porque ela inevitavelmente beneficia Dilma. Geraldo Alckmin sentiu na pela – e nas urnas - no que dá comparar os feitos de Lula e FHC.
Depois, buscando minar a credibilidade da ministra da Casa Civil, FHC elogia a liderança de Lula, o indefectível cabo eleitoral de Dilma. Os tucanos e agregados sabem muito bem que Lula está conseguindo, de forma inusitada, transferir seu prestígio e seus votos para Dilma, dando-lhe competitividade eleitoral, fato confirmado nas últimas pesquisas. Então, elogiar Lula é elogiar Dilma.
Se FHC continuar falando tanta bobagem, vai levar aquele pito dos estrategistas do Serra. E carrear mais votos para Dilma.
Fui parido em 69, no curso da ditadura. Vivi minha ingênua infância na zona rural. Minha desinformada adolescência se desenrolou numa pacata cidade interiorana do Rio Grande do Sul. Fui criando em indefectível redoma familiar, protegido dos mal-entendidos da humanidade e das intempéries do poder econômico e político, como qualquer guri missioneiro que morava no campo.
Assim, os anos de chumbo - deles tomei conhecimento no início da idade adulta (lendo o velho jornal do Partidão, emprestado pelo meu cunhado Clairton Cezimbra Corrêa, na época militante do PCB), sempre me pareceram uma barbaridade abstrata, uma violência vista ao longe, de uma distância segura. A brutalidade das torturas, mortes e ocultamento de cadáveres me revoltava – e ainda me enoja, mas nunca me senti, naturalmente, como uma “vítima presencial” da ditadura.
Pois o escrito do Marcelo teve o condão de me transpor “para a cena do crime”, de viver psicologicamente a dor de um filho de pai “sumido” pelo Estado brasileiro.
Reforcei minha convicção de que a lei da anistia deve ser revista. E o mais importante: o tapete que esconde as violações aos direitos humanos cometidas pelo regime militar deve ser removido.
"CAROS GENERAIS, ALMIRANTES E BRIGADEIROS
Marcelo Rubens Paiva
ESTADAO, 30.02.2010
Eu ia dizer "caros milicos". Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?
Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.
Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado.
Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown.
Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do Cinema Novo?
Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime.
Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação?
Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.
Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha 5 anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época.
Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista?
Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas.
Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de 5 anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia...
Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de "gorilas". Ri muito quando a recebi.
Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil.
Num vôo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador.
Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores - ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes.
A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País.
Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram. Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais.
Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia.
Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa (a de que ele tinha fugido) e não se falou mais no assunto.
Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do 2º Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno.
Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para "desaparecido". Deixei em branco.
Levei uma dura do oficial. Não resisti: "Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo." Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, "dispensado", e saí de lá com a alma lavada.
Então, só em 1996, depois de um decreto-lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito.
Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o brigadeiro Burnier lhe disse: "Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças."
Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura.
Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem".
As pesquisas revelaram a potencialidade eleitoral de Dilma e a tendência de queda do Zé Alagão. Pois agora o PiG vai trabalhar dobrado, dando pinote igual a um potro xucro, caborteiro e mal domado. Não dá para afrouxar a perna...
O desespero está batendo às portas. As calúnias, difamações e injúrias contra Lula vão correr à solta!
Não se iludam, o cismo não será de pequena escala. O PiG vai querer ver a casa da esquerda ruir, esmagando todos dentro.
É ora de ter fibra e não deixar o PiG sem resposta.
Apetrechos para enfrentar o PiG aporreado: maneador, mango, buçal, tirador, um par de esporas e boa informação.
Para cada mentira, um esclarecimento.
Importa manter e ampliar a confederação de blogs em defesa do direito à informação.
Como escreveu o poeta, agora “é tempo de tosquia, já clareia o dia com outro sabor (...)”
E enquanto “um descascarreia, o outro já maneia e vai levantando para o tosador (...)”.
E assim, num trabalho coletivo, será possível tosar o PiG.
Decálogo dos Direitos do Blogueiro
10. Toda blogagem se dará em paz e exercitará a liberdade de expressão inerente a qualquer democracia. A blogagem estará a salvo de perseguição política, religiosa ou doutrinária de qualquer caráter. O blogueiro será livre para dizer o que lhe venha à telha, desde que, obviamente, não cometa com a linguagem crimes de calúnia ou plágio.
9. Todo blogueiro terá o direito de passar um dia sem blogar e não receber mensagens alarmistas, preocupadas ou encheção de saco. Os blogueiros serão poupados de receber emails com gritaria ou esbravejação em letras maiúsculas e, no caso de recebê-los, serão livres para exercitarem o direito de ignorá-los ou apagá-los.
8. Todas as blogueiras terão direito de blogar em próprio nome, em pseudônimo ou em heterônimo como lhes apraza, de forma exclusiva ou simultânea. Assim como todos os outros direitos nomeados aqui preferencialmente no feminino, este também se aplica, evidentemente, aos homens que possam, saibam ou ousem exercitá-lo.
7. Sendo publicitário, funcionário público, palhaço, vendedor de seguro, jogador de futebol, aeromoça, professor universitário, paquita, lixeiro ou desempregado nas horas vagas, o blogueiro tem direito de não ser importunado, agredido, chantageado ou ofendido por sua escolha ou necessidade profissional fora das horas de blogagem.
6. Todas as blogueiras terão direito de livre associação em quaisquer grupos, incluindo-se aí grupos com objetivos e programas contraditórios. Entender-se-á a blogagem sobretudo como um direito à coexistência bizarra, insólita e feliz de diferenças na internet. Na blogosfera haverá paz de se retribuir as visitas ao blogs de cada um na devida temporalidade baiana que deve reger as coisas, sem pressa, sem culpa e sem cobrança. Ao visitar o blog alheio o blogueiro também temperará o natural desejo da recíproca com semelhante tranqüilidade.
5. Toda blogueira estará livre de qualquer responsabilidade sobre afirmações feitas por outras pessoas em seu blog. Nenhuma blogueira poderá ser interpelada, processada ou censurada por ofensas ditas por outrem em seu blog. Caso alguma pessoa se sinta ofendida por algum comentário e reclame, a blogueira terá amplo tempo para decidir qual a atitude correta de anfitriã que exercita seus direitos de cidadã numa democracia onde àqueles correspondem, é claro, deveres também.
4. A todo blogueiro será garantido o direito de promover votações, concursos, citações, retrospectivas, autolinkagem ou reciclagem sem ser acusado de estar ficando sem assunto.
3. Todo blog terá liberdade absoluta de linkar, deslinkar e relinkar como lhe preze, entendendo-se que a linkagem é ato livre, unilateral e jamais significa, por si só, um endosso de conteúdo do site linkado. Todo blogueiro terá paz para ir linkando aqueles que o linkam ou não, na medida em que ele vá viciando-se em blogs.
2. Todo blogueiro terá o direito de exercitar periodicamente o direito de dizer abobrinhas sobre assuntos que não entende, de tal forma que os blogs de futebol serão apoiados quando resolvam falar de música e os blogs de economia contarão com a compreensão geral quando decidam falar sobre a composição do vinho. Mais bobagem que certas revistas semanais blog nenhum conseguirá dizer.
1. Todo blogueiro terá o direito de propor decálogos incompletos – eneálogos, na verdade – e solicitar ser completado, corrigido ou auxiliado pela caixa de comentários. Esqueci de alguma coisa? Sejam bem-vindos.
Obs: retirado do Blog Biscoito Fino